Peter Druker
O guru dos gurus e a gestão do século XXI

 

A gestão não é geralmente considerada uma ciência exata. Mesmo em relação às ciências humanas, ocupa um espaço de fronteiras pouco definidas, recebendo influências da economia, mas também da psicologia, da sociologia, das ciências políticas, do direito e de muitas outras áreas.

Peter Drucker, austríaco e americano, é frequentemente considerado o fundador da gestão. As suas publicações, trabalhos de consultoria e conferências tornaram-no tão influente que passou a ser considerado o "guru dos gurus". Julgo que este atributo é merecido, tanto pela natureza pioneira do seu trabalho como pela influência que tem exercido sobre os outros gurus, qualquer que seja a sua origem e formação. Com mais de 90 anos continua intelectualmente muito ativo, tanto na liderança da Escola de Gestão de Claremont, na Califórnia, como na produção de livros e artigos que têm um forte conteúdo futurista, apesar da sua insistência de que a maioria das lições podem ser extraídas da observação do passado recente.

Apesar da influência que exerceu nos restantes gurus e nos autores da gestão em geral, Drucker continua a surpreender pelo caráter visionário e original dos seus artigos, apesar de, ao contrário de alguns dos outros gurus, manter uma elevada consistência no seu quadro de análise.

Winston Churchill já considerava Drucker "um estimulador do pensamento". Nasceu na Áustria, em 1909, numa família culta, filho de um funcionário do Ministério da Economia da Áustria e de uma médica. Ainda criança, conheceu Sigmund Freud, que lhe foi apresentado pelos pais como sendo "mais importante que o próprio imperador". Formou-se em Direito, na Universidade de Hamburgo (Alemanha), e doutorou-se em Direito Internacional pela Universidade de Frankfurt. Cedo começou a investigar na área da econometria, a colaborar em jornais e com empresas envolvidas em comércio internacional. No entanto, as suas posições desagradaram ao Governo alemão e, em 1933, desloca-se para Inglaterra. Em 1937 é destacado para os Estados Unidos como correspondente de jornais ingleses. Em 1939, publica The End of Economic Man: Origins of Totalitarianism. Além de uma intensa atividade editorial, colabora com numerosas empresas, incluindo a GM e universidades. Em 1950, inicia a sua colaboração com a Universidade de Harvard. O livro The Practice of Management, publicado em 1954, é considerado o fundamento da disciplina de Gestão. Desde então publicou numerosos artigos e livros sobre gestão, empresas sem fins lucrativos, inovação, ecologia, o nascimento do knowledge worker, tendo cooperado com um conjunto vastíssimo de empresas e governos, enquanto desenvolvia a Claremont Graduate School. Com 93 anos, os que assistem às suas palestras não duvidam de que ainda vai dar uma forte contribuição ao desenvolvimento da Gestão.

 

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